sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Identificação de vítimas será mais fácil do que no acidente da TAM


O fato de os corpos não terem sido carbonizados, como ocorreu em queda do voo 3054, facilita o trabalho do IML





A identificação da tripulação e dos passageiros do acidente aéreo que matou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) deverá ser facilitado pelo fato de os corpos não terem sido carbonizados. Na manhã de quarta-feira, um jato executivo caiu em Santos, matando Campos e outras seis pessoas. Os corpos estão no Instituo Médico Legal (IML) de São Paulo.
A opinião sobre a identificação dos corpos é do médico legista Antonio Rosis, 66 anos, que era diretor do Núcleo de Odontologia Legal do IML durante a apuração do acidente da TAM — em 2007, o voo 3054 saiu de Porto Alegre rumo a São Paulo e ultrapassou o fim da pista 35L do Aeroporto de Congonhas durante o pouso, matando carbonizadas 187 pessoas. Rosis aposentou-se do IML em 2012.
— Mas ainda choro quando lembro do fato — comentou.
Rosis lembrou que a retirada de amostras de corpos carbonizados para identificação é bem mais difícil do que de restos mortais que não foram queimados.
— O processo de identificação de uma vítima se constitui em uma série de exames, como DNA, arcada dentária e outros itens — explica o médico.
O médico acrescenta que, na época do acidente da TAM, em 2007, o resultado dos testes de DNA demoravam pelo menos 50% mais de tempo do que hoje.
— Somando os fatos das vítimas de terem sido carbonizadas, serem em um pequeno grupo e dos exames de identificações terem avançado, eu concluo que o trabalho dos peritos será bem mais rápido do que foi no caso TAM — apostou.
Prazo para identificação
O IML não tem prazo para identificação dos corpos, informou a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Desde as 20h de quarta-feira, os peritos do órgão trabalham na identificação dos corpos das sete vítimas do acidente. Uma equipe de 30 profissionais recebeu as partes dos restos mortais, que vieram do local em que o avião caiu, em Santos. Além dos exames de DNA, os peritos estão tentando identificar os restos mortais pelas roupas que usavam durante a viagem — por meio de fotos tiradas da comitiva. E também de documentos encontrados nas roupas de pedaços de corpos.
Delegado regional da Polícia Civil em Santos, Aldo Galeano afirma que a previsão é de que os corpos sejam liberados para o velório daqui a dois ou três dias. O policial acredita que o voo ocorria normalmente, uma vez que o piloto notificou que estava fazendo o retorno para pousar. Galeano ressalta que o piloto direcionou o avião à única área livre no meio de várias construções:
— Talvez ele tenha tentado salvar alguma vida com isso.
Acidente aéreo matou sete pessoas
Candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos morreu na manhã de 13 de agosto, em um acidente de avião em Santos, no litoral paulista. A queda da aeronave, que ia do aeroporto Santos Dumont (RJ) ao aeroporto de Guarujá (SP), matou outras seis pessoas — dois assessores, um fotógrafo, um cinegrafista e dois pilotos.
Nascido em Recife (PE) em 1965, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Henrique Accioly Campos era o terceiro colocado na corrida presidencial, atrás de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Campos era neto e herdeiro político de um dos mais influentes líderes da esquerda nacional, o também ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes. Casado há mais de 20 anos com a economista Renata Campos, o candidato deixa cinco filhos, com idades entre 21 anos e cinco meses.
Com a morte de Campos, o nome da vice em sua chapa, Marina Silva (PSB), despontou como favorito. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em caso de falecimento de candidato, o partido do substituído tem de pedir o registro da nova candidatura em até 10 dias. O prazo conta a partir do fato que motivou a substituição.

Nenhum comentário: